domingo, 31 de março de 2013

Ver passar a procissão










Freixo de Espada à Cinta, sexta-feira, fim da manhã. Caminhávamos por uma ruela estreita, apertada entre o esguio casario de granito envelhecido, que só deixava entrever uma fina nesga de céu cinzento invernoso, triste, quando encontrámos a praça "Jorge Alvares" repleta de peregrinos, todos na mesma atitude: rostos sérios, impassíveis, como que mergulhados em meditação, de olhares dirigidos para a procissão do "Senhor dos Passos".
Mais tarde, não muito distante dali, em Torre de Moncorvo, quando a lua rodeava a paisagem com a sua luz ténue, vimos desfilar outra procissão. Das ruas da vila emanava uma espécie de paz grave devida, talvez, à influência das imagens seráficas dos santos que passavam envoltos em mantos púrpura. Um misto de vida e de morte, de morte e de vida.
Entre os devotos, apesar dos ambientes austeros e da solenidade dos momentos, nos rostos entrevia-se algo de fascinante que não sei adjetivar.

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