sábado, 26 de março de 2011

Ferrado


Há dias, no decurso do trabalho de descrição de objectos de barro que fazem parte de uma colecção de olaria que tenho vindo a estudar, deparei-me com uma peça identificada, pelo colector, como sendo um "ferrado". Confesso que foi a primeira vez que que vi e que li este termo.
Das pesquisas bibliográficas que fiz, pouco consegui em termos de informação concreta e pormenorizada mas,  dos dados reunidos, parece-me ser possivel concluir que se trata de um recipiente utilizado para recolha do leite durante o processo de ordenha (de vacas, ovelhas e cabras).
Há ainda um pequeno mas precioso apontamento, que decerto me permitirá chegar a mais fontes de informação, da autoria de Margarida Ribeiro (1984), que passo a citar:
Ferrados ou Tarros feitos de pasta grosseira, ferruginosa e enegrecida, corpo em forma de tronco de cone, asas de fita com três caneluras verticais, implantadas no bordo superior periférico, formando axila de ângulo aberto e rematando grosseiramente a cerca de 2/3 da altura do vaso. Colo aberto, reforçado em toda a periferia com boleado saliente de secção triangular, demarcado com instrumento pontiagudo, de madeira. Abertura trilobada obtida por compressão  manual. O tarro maior apresenta uma estria feita na roda com instrumento pontiagudo, de madeira, na zona de implantação inferior das asas. Fundos espessos de superfície plana, colocados como acabamento dos vasos, de cuja técnica de fecho conservam vestígios na zona periférica exterior, notando-se ainda o corte do barro com instrumento metálico e uma pequena fendazinha irregular que marca a junção da parede do vaso com o fundo. Aparência tosca, dada a negligência na demarcação das curvas do corpo, de que resultou ficar o vaso mais atarracado com maior diâmetro no fundo. Encontrados em lugares e alturas diferentes, o que se comprova com as manchas escuras e o pó branco, calcário, que aderiu ao barro e se vê no tarro maior, cujas proporções são mais equilibradas.
As formas e as nomenclaturas - tarro e ferrado - estão abonadas na olaria do fim do século XIX de Serpa. Constam, também, da relação elaborada por Carolina Michaelis de Vasconcelos. Tais designações sobrevivem em todo o Alto Alentejo, sendo mais frequente, na data da nossa investigação sobre olaria, o nome ferrado, nome bem conhecido em Beringel.

Aceitam-se "dicas" de quem souber mais sobre estes recipientes!!

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