quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Confeitaria Nacional




Hoje passei pela Confeitaria Nacional (Lisboa). Foi dificil resistir a tantas doces tentações.

Marionetas


Diz o ditado que «o desejo ardente deve ser acompanhado de uma vontade firme». Hoje vou dar início a um novo projecto muito desejado: a criação de dois novos personagens, que se irão juntar a outros bonecos que fui criando. Espero puder brevemente trazer aqui imagens dos resultados.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Feira das Mercês (cont.)


Cada um leva um exemplar daqueles barros tão úteis como expressivos. Há quem de lá traga verdadeiras colecções. Qual de nós o não teria feito já também?
Este género de louça é evocador, pela forma e pela graça, como as flores o são também pela vida e pelo perfume.
Das viagens, às vezes, nada mais resta do que isso. Quem passa por Barcelos, por Chaves, por Tondela, por Bisalhães, pelas Caldas ou por Estremoz, nunca deixa de trazer consigo uma peça, ainda que bem pequenina, da louça que por lá tenha visto. Atracção de quem viaja e prazer de quem dela se serve.
Foi por isso que a nossa Infanta D. Isabel, casada com D. Carlos V, nunca dispensava da sua mesa os encantadores pucarinhos de barro que se dizia serem de Montemor.
Aparte outro sector da feira, talvez mais rendoso e fundamental, à louça, ao leitão e às maçãs reinetas, cabem as honras plásticas daquele ajuntamento vivo que é a Feira das Mercês.
Mas não é tudo. O amor tem naquele lugar papel importante e privilegiado na história da ternura popular. É nas Mercês que existe o famoso Muro do Derrete, parada onde se fazem verdadeiros torneios amorosos da região. Rapariga casadoira vai postar-se ali, fresca e vistosa, girando de um lado para o outro, como fogaça em arraiais em arraiais de província. Há sempre quem olhe, há sempre quem goste e há sempre quem queira. E por isso raro é que dali não saia casório certo.
O muro não é apenas um símbolo literário dos folcloristas; existe, não de carne e osso, como se diria das cachopas que o embelezam, mas de pedra e cal, no períbolo da capelinha. No seu parapeito lá estão as moçoilas, rubras de entusiasmo e ansiosas pela fala dos seus conversados, porque dela depende, afinal, a última palavra do seu destino.
Em roda, a feira continua; e, porque o entardecer se aproxima, o Sol doira mais a fronde dos pinheiros e alonga para o Nascente a sombra do arvoredo. São horas de retirada. Enchem-se, de novo, os caminhos daquele povoléu exausto que apressadamente segue em conquista dum lugarzinho no comboio, lá ao fundo, na estação das Mercês, prestes a regressar à cidade.
Em pouco tempo a encosta fica vazia.
A sombra desce mais, atinge o solo, amacia-o e confunde-o com o silêncio e tudo esquece no dia seguinte. Apenas os medronheiros do caminho, vivos, rutilantes como gotas de coral, nos lembram o sorriso fresco e sadio com que as cachopas do alto do famoso muro marcam a nota mais bela e expressiva da tradicional feira das Mercês.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Para a Daisy


Daisy, este post é dedicado a ti. Bjos

Feira das Mercês


No post anterior, quando referi o autor Armando Lucena reportava-me, em concreto, a um texto cujo título é A Feira das Mercês, a «tradicional» feira das Mercês (que não aquela a que aludi), onde fui encontrar referências preciosas à loiça de olaria produzida e vendida na época, e que passo a transcrever na íntegra. Desfrutem.

Muitas vezes, ainda há calor naqueles últimos dias de Outubro, dourado e transparente, de atmosfera límpida, cristalina e suave que nos prende com infinito prazer às doçuras da Natureza. Os rigores do estio deixaram-nos abatidos e com essa fadiga muito deve ter perdido o nosso culto pelo ar livre. De modo que bastante grato é à nossa sensibilidade o primeiro ensejo que nos leva ao campo para ali gozarmos a paisagem e a temperatura amena da quadra outoniça do ano.
Logo de manhã, mal o sol desponta no azul do céu, começa a enorme romagem de forasteiros, cruzando os caminhos e veredas em direcção às Mercês, linda povoação dispersa por uma encosta acima, fronteiriça à serra de Sintra, e onde, desde longa data, se realiza anualmente a tradicional feira das Mercês.
O lugar é, por si, convidativo e pitoresco e em tudo propício à reunião do povo que daquelas redondezas ali acode para folgar e fazer algumas transacções de frutas, hortaliças, gado miúdo, louçaria barata e característica da região, etc., constituem, por assim dizer, a justificação daquele pequeno comércio que, apesar disso, muita gente nele se vê interessada.
Mas deixemos o fundo económico da questão, com seus lucros ou proveito especiais, e olhemos o acto pelo lado panorâmico, pelo sabor regional que nos oferece todo aquele divertido aglomerado, onde há gente de todas as categorias, de todas as idades e lugares.
Da estação do caminho de ferro, lá acima, ao alto da encosta, move-se a grande massa de gente, contornando os acidentes do terreno, fértil e muito variado de vegetação. Há em todos, naquela subida custosa e ainda bastante longa, um arfar ansioso de quem luta com a ladeira. O final vem, felizmente, perto e sólidas compensações esperam o feirante ou simples romeiro, que vai aguçando o apetite para a saborosa petisqueira, devorada à porta das barracas de lona ou à sombra dos plátanos gigantescos o planalto onde a romaria se realiza.
A paisagem é um deslumbramento de frescura sob a poeira doirado do sol, já nessa altura a pino, sobre a cabeça dos feirantes. Alinham-se as barracas de pano, improvisadas de véspera, com panos toscos de costaneiras velhas no interior, que o povinho toma de assalto para que aquela refeição sem fórmulas, primitivas, pagã, quási bárbara, mesmo. Para muitos, o espectáculo termina ali e talvez não tenha começado mais longe. O «prato do dia», se assim podemos dizer, é o belo leitão assado, que naquela manhã se imolou expressamente para repasto dos forasteiros. Por pertencer à tradição, ou porque naquela época outro petisco melhor se não arranja, o bacorozinho assado no espeto é, na opinião daquela gente, uma delícia incomparável que ninguém dispensa naqueles excepcionais dias de festa.
O dia vai correndo num rumor confuso de vozes e de som das cornetas de barro, enquanto a marcha do Sol, curva e vagarosa, nos oferece novos panoramas pelo vale abaixo, até Rio de Mouro, naquele momento vazio e silencioso pela debandada do seu povo, agora a contas com o Diónisos das redondezas, discutindo a vantagem e a aplicação das uvas. Os postos de beberagem são numerosos, como é de supor; um barril ajeitado sobre duas cruzetas de Santo André, duas tábuas de pinho à guisa de banco e um canjirão vidrado das fábricas do Sobreiro quanto basta àquelas locandas de improviso. Próximo uma frigideira de barro chia, sobre o fogo, com o ruído particular das frituras, aliciando o paladar dos mais enfastiados.
- Cá está o rico leitão assado, meus senhores!
E ninguém lhe resiste.
Só depois se trata de «enfeitar».
As louças abundam: a de esmalte, a de folha, a de barro, principalmente. Filas completas cheias de potes, bilhas, moringues, canjirões a almofias, brilhando ao sol, com seu vidrado amarelo, castanho ou verde. Formas clássicas das olarias vizinhas de Mafra, felizmente, por enquanto puras de expressão, castiças de forma, atraentes pela graça ingénua que é a maior virtude dos seus oleiros. Já um dia as quiseram «modernizar», perverter com certos conselhos de indústria alheia; mas alguma glória nos cabe de termos conseguido evitar tamanha tristeza. Fomos ouvidos com muita inteligência e ponderação, e assim podemos ainda admirar-lhe os antigos moldes regionais que, de longa data, foram característicos das velhas rodas do Sobreiro, da Achada, dos Salgados e de muitas outras, daquilo a que poderíamos, com justa razão, chamar o Bairro Cerâmico do concelho de Mafra.

(amanhã será colocado o restante texto)

domingo, 5 de setembro de 2010

Mercado das Mercês


A curiosidade de visitar o mercado (ao ar livre) da Tapada das Mercês durava há já alguns meses. Satisfiz esse desejo ontem.
O lugar aprazível, convidativo e pitoresco descrito por Armando Lucena (in Arte Popular, Usos e Costumes Portugueses) deixou de existir; os produtos transaccionados são agora outros; mas, ainda assim, valeu a pena o cumprimento desta espécie de culto que tanto defendo: a compra do que é (ou ainda vai sendo) regional e, não raras vezes, cultivado pelos próprios vendedores.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Todos diferentes / Todos iguais



Efeitos da globalização.