domingo, 22 de novembro de 2009

Janelas


Qualquer espaço habitado pelo homem acaba sempre por ver nele serem fixados limites ou prolongamentos territoriais materiais comunicados por signos visíveis ou invisíveis. As janelas, à semelhança das portas, constituem um dos elementos contidos na comunicação desses signos visuais.
Como diz Edward T. Hall, «o espaço de organização fixa constitui um dos quadros fundamentais da actividade dos indivíduos e dos grupos. (...) Os edifícios de construção humana são um exemplo de organização fixa. Igualmente, o seu modo de agrupamento bem como o seu modo de partição interna correspondem também a estruturas características determinadas pela cultura. A organização das aldeias, das pequenas e grandes cidades e do campo que as rodeia não é efeito do acaso, mas resultante de um plano deliberado que varia com a história e a cultura.».
Ora, se o espaço habitação for pensado como uma expressão da cultura do povo que a criou, bem como um prolongamento da sociedade destinado a preencher uma rede complexa de funções, mais facilmente acedemos ao reconhecimento urgente e óbvio daquilo que este mesmo autor entende ser necessário fazer: «salvar da «bomba» da renovação os edifícios e bairros antigos, dotados de valor estético(...). O novo não é necessariamente bom, nem o velho necessariamente mau. Nas nossas cidades (vilas e aldeias), numerosos lugares - por vezes, apenas algumas casas - merecem ser conservados. Afirmam a continuidade do presente com o passado e introduzem diversidade nas nossas paisagens(...)».
Teremos, então, que descobrir métodos que se constituam pertinentes para uma melhor avaliação desta questão. A abertura, neste blog, da etiqueta «Janelas» (à semelhança de uma outra anteriormente criada e que designei por «Portas), pretende sublinhar a necessidade dessa reflexão.

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