domingo, 29 de novembro de 2009

Dia de Inverno


Hoje, o dia amanheceu chuvoso...

mas à tarde deu para pôr o pé na rua.

sábado, 28 de novembro de 2009

Janela fora de uso


(Lisboa - Av. 5 de Outubro)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Leitaria Camponeza




A Leitaria Camponeza fica no n.º 155 da Rua dos Sapateiros, em Lisboa. É uma casa bastante referenciada, nomeadamente em roteiros turísticos, como local de interesse patrimonial arquitectónico. Toda a fachada exterior está revestida por painéis de azulejo monocromáticos envolvidos em cercaduras de pura Arte Nova datados de 1907, ano em que José Domingos Diogo, um dos sócios fundadores desta casa, comprou o estabelecimento que antes funcionava como manteigaria.
Quem entra e observa o seu interior parece recuar aos seus anos de origem – tectos de gesso trabalhados com temas florais; azulejos policromáticos em roda-tecto; painéis de azulejo com temas campestres nas paredes; mesas de ferro; balcão de madeira; copos e garrafas assentes em prateleiras de vidro; o relógio de pêndulo a marcar a hora certa, até o ambiente de iluminação ténue faz lembrar outros tempos em que o tempo corria devagar. Hoje, é talvez a única leitaria que ainda permanece muito igual ao que era antes, sem, contudo, podermos deixar de considerar as diferentes medidas e iniciativas que têm sido tomadas com vista a uma melhor adaptação do velho ao novo, às pressões e exigências turísticas, à permanente oferta de novas solicitações, aos permanentes desafios concorrenciais dos grandes centros comerciais, enfim, à nossa vida moderna, em que o consumismo, os ritmos acelerados, as novas tecnologias, os grandes espaços comerciais, vão isolando, cada vez mais, estes espaços em ilhas de esquecimento.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Gás ancorado


Era uma vez uma parede cimentada a uma âncora que estava acorrentada a uma botija de gás...
De tão insólito não resisti ao olhar fotográfico.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Nova definição de «Museu»


Na sequência do último post sobre museus aqui colocado, dedicado ao tema da definição ditada pelo ICOM em 1951, percebemos que essa definição tem nela incutida a ideia de que o museu é um estabelecimento permanente, pressupondo, por isso, uma oposição a uma exposição (enquanto acontecimento temporário). Associa o museu a um lugar de interesse público, em termos de educação, de transmissão de conhecimento e de valorização. E, para além de caber ao museu a missão de conservar, estudar e expor, esta definição acrescenta ainda outra implicação que está relacionada com a variedade das colecções, não apenas em termos de tempo (passado, presente), mas também no que refere aos objectos em si (vivos ou inanimados).
Em 1974 o ICOM publica nova definição de museu. Um acto que está estreitamente ligado às evidentes mudanças que foram acontecendo dentro da sociedade. Agora o museu é entendido como uma «instituição permanente, sem fins lucrativos, ao serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público, que faz pesquisa relativa aos testemunhos materiais do homem e do seu meio, adquire esses testemunhos, conserva-os, comunica-os e expõe com o objectivo de estudo, educação e deleite».
A primeira grande alteração em relação à anterior definição prende-se com a ideia, cada vez mais presente, de o museu ser olhado como instituição ao serviço da sociedade. Uma perspectiva para a qual muito contribuiu o papel dos eco-museus. De facto, com o surgimento dos eco-museus no final da década de 60, no século XX, o conceito de museu ao serviço da comunidade acentua-se e, é nesta sequência que o ICOM vem a decidir a redefinição da ideia de museu.

25 de Novembro - Dia internacional para a eliminação de todas as formas de violência contra as mulheres


Decorreu hoje, no edifício da Estação de Comboios do Rossio, em Lisboa, uma iniciativa promovida pela Amnistia Internacional - Portugal de sensibilização para este drama.
Denuncie. É preciso acabar com este flagelo.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Abóbora-Menina



Tinha planeado colocar aqui alguma coisa sobre «museus», infelizmente não tive tempo de organizar a escrita nesse sentido. Em vez disso (e em jeito de compensação), deixo imagens da minha grande aquisição deste fim-de-semana.
É linda, não é!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Inside/ Outside



(Sobreiro - Mafra)

domingo, 22 de novembro de 2009

Janelas


Qualquer espaço habitado pelo homem acaba sempre por ver nele serem fixados limites ou prolongamentos territoriais materiais comunicados por signos visíveis ou invisíveis. As janelas, à semelhança das portas, constituem um dos elementos contidos na comunicação desses signos visuais.
Como diz Edward T. Hall, «o espaço de organização fixa constitui um dos quadros fundamentais da actividade dos indivíduos e dos grupos. (...) Os edifícios de construção humana são um exemplo de organização fixa. Igualmente, o seu modo de agrupamento bem como o seu modo de partição interna correspondem também a estruturas características determinadas pela cultura. A organização das aldeias, das pequenas e grandes cidades e do campo que as rodeia não é efeito do acaso, mas resultante de um plano deliberado que varia com a história e a cultura.».
Ora, se o espaço habitação for pensado como uma expressão da cultura do povo que a criou, bem como um prolongamento da sociedade destinado a preencher uma rede complexa de funções, mais facilmente acedemos ao reconhecimento urgente e óbvio daquilo que este mesmo autor entende ser necessário fazer: «salvar da «bomba» da renovação os edifícios e bairros antigos, dotados de valor estético(...). O novo não é necessariamente bom, nem o velho necessariamente mau. Nas nossas cidades (vilas e aldeias), numerosos lugares - por vezes, apenas algumas casas - merecem ser conservados. Afirmam a continuidade do presente com o passado e introduzem diversidade nas nossas paisagens(...)».
Teremos, então, que descobrir métodos que se constituam pertinentes para uma melhor avaliação desta questão. A abertura, neste blog, da etiqueta «Janelas» (à semelhança de uma outra anteriormente criada e que designei por «Portas), pretende sublinhar a necessidade dessa reflexão.

sábado, 21 de novembro de 2009

Havaneza de Oeiras








Hoje, finalmente, lá consegui arranjar uns minutinhos livres para visitar a Havaneza de Oeiras. As imagens aqui partilhadas são apenas um pequeno pormenor do espaço que a Ester reservou aos meus «bonecos de Natal».
O meu obrigada vai todo para ela.


À saída da Havaneza, antes de regressar a casa, ainda houve tempo (pouco) para visitar a exposição de Nuno Calado. A galeria está mesmo ali, a dois passos.

Pombos




Até há bem pouco tempo, eram raras as vezes, e por escassos momentos, que pousavam nos telhados das garagens que se avistam da minha casa. Agora não. Têm vindo a demorar-se por mais tempo. Caminham sobre as telhas, arrulham, esvoaçam até ao parapeito das minhas janelas, ... porque se habituaram às migalhas de pão «matinais».

Definição de museu


Definição de museu publicada em 1951, pelo ICOM:
«O termo museu designa todo o estabelecimento permanente, administrado no interesse geral com vista a conservar, estudar, expor para o deleite e a educação do público um conjunto de elementos de valor cultural: colecção de objectos artísticos, históricos, científicos e técnicos, jardins botânicos e zoológicos, aquários.»

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Assoaciação de Protecção aos Cães Abandonados


Hoje chegou à minha caixa de correio este convite da APCA. O almoço é dia 22 deste mês, mas ainda estão a aceitar inscrições. A informação aqui fica, para todos quantos queiram contribuir com alguma ajuda para estes amigos de quatro patas.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

As definições do ICOM


A UNESCO, instituição fundada em 1946, foi quem pela primeira vez publicou uma definição sobre aquilo que é um museu. Coube depois ao ICOM (International Council of Museums), organismo criado pela UNESCO, lidar especificamente com as instituições museológicas.
É o ICOM que decreta uma legitimidade internacional em matéria de definição do que é um museu, e por isso caberá aos museus seguir as regras ditadas pelo ICOM. Pertence ao ICOM a responsabilidade de definir quais as condições de manutenção e preservação dos objectos. Por sua vez, os museus para fazerem parte do ICOM terão que obedecer a um conjunto de preceitos. Preceitos esses, que não têm que ser estáticos ou permanentes no tempo, pelo contrário, eles vão variar consoante os vários momentos da nossa História. Essas variações terão que ver também, claro está, com a transformação do que é a própria instituição «museu».

domingo, 15 de novembro de 2009

Coisas de Natal disponíveis...





Lentamente, tenho vindo a terminar as minhas criações de Natal. Algumas já estão disponíveis na Havaneza de Oeiras, uma loja com um ambiente super acolhedor, em pleno centro histórico, mesmo em frente ao edifício do Mercado Municipal (espero conseguir mostrar imagens durante a semana). Hoje foi a vez da Chaise Longue, em São Pedro de Sintra - adorei o modo como o Óscar as expôs.

Objecto musealisado



(Sintra - Museu do Brinquedo)
Qualquer que seja o objecto que toma lugar num museu perde o seu carácter funcional.
Mesmo pensando nos objectos decorativos que temos em casa, ainda assim, estes continuam a distinguir-se daqueles que se encontram nos museus. Eles continuam a ser objectos que se encontram em interacção e portanto ainda não perderam a sua vertente funcional.
A perda de funcionalidade dos objectos de museu pode ser de dezenas ou centenas de anos, como pode também ser de um tempo recente.

Sintra



A imprevisibilidade da morfologia na paisagem de Sintra é, sem dúvida, um dos seus principais encantos.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

MUDE - Museu do Design e da Moda





Se na segunda metade do séc. XVIII os museus foram pensados no sentido de serem os espaços de transmissão de conhecimento por excelência, a verdade é que desde esse período até aos nossos dias o museu, enquanto instituição transmissora de conhecimento, não parou de sofrer alterações. E, se diferentes factores têm contribuido para as variadas transformações da instituição «museu», em grande medida elas também se prendem com a facilidade e o progressivo aumento da mobilidade. O museu já não é, nos dias de hoje, o único meio de transmissão de conhecimento.
Por isso se tem vindo a tornar cada vez mais comum observarmos, dentro e fora dos próprios museus, o recurso a variados meios que permitam continuar a captar público a estes espaços - um deles é o recurso à cenografia.

Remendada


(São Pedro de Sintra - Rua 1.º de Dezembro)

Os Cus de Judas





«(...) sou um homem de um país estreito e velho, de uma cidade afogada de casas que se multiplicam e reflectem umas às outras nas frontarias de azulejo e nos ovais dos lagos, e a ilusão de espaço que aqui conheço, porque o céu é feito de pombos próximos, consiste numa magra fatia de rio que os gumes de duas esquinas apertam, e o braço de um navegador de bronze atravessa obliquamente num ímpeto heróico.»
António Lobo Antunes. 1983. Os cus de Judas. p.33.

domingo, 8 de novembro de 2009

Presentes para pôr no sapatinho


Por estes dias tenho andado às voltas com algumas pinturas, desta vez sobre tecido.
O Natal aproxima-se. A propósito disso têm surgido encomendas para presentes personalizados.

Museu Nacional de Etnologia (cont.)


À exposição «Instrumentos Musicais Populares Portugueses» outras se seguiram, «Escultura Africana», «Arte do Índio Brasileiro»; «Alfaia Agrícola», «Povos e Culturas» são apenas alguns exemplos.
Deste modelo de exposições se retira como implicação aquela que viria a ser a vertente defendida pelo museu e que, como se tem visto, em grande medida viria a debruçar-se na linha do cultural popular português, ou seja, sobre uma realidade rural em extinção.
Paralelamente a este eixo forte que é a etnografia portuguesa, sobretudo das sociedades camponezas, existe ainda outra vertente que também vai ser bastante explorada no Museu Nacional de Etnologia, refiro-me à importância da estética material - de notar, contudo, que se trata de uma dimensão que se prende claramente com factores conjunturais. Uma parte significativa do espólio deste museu foi adquirida ao coleccionador Victor Bandeira, trata-se de um conjunto de objectos sobre os quais existe muito pouca ou nenhuma informação. Por isso mesmo, permitem apenas uma abordagem em termos formais, de âmbito estético.

sábado, 7 de novembro de 2009

Porta amarela


(Mem Martins - Rua da Azenha)

domingo, 1 de novembro de 2009

Jorge de Sena


Jorge de Sena se fosse vivo completaria hoje 90 anos. Sobre ele escreveram, José Fanha e José Jorge Letria: «A sua voz poética é intensa, lírica, desmedida, por vezes, malcomportada, destacando-se por uma crítica cáustica aos tiques de Portugal do Estado Novo e mesmo ao Portugal que se segue ao início da democracia em 1974».
Eu, do muito que ele escreveu, destaco estas palavras:

A Portugal

Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.
Nem é ditosa, porque o não merece.
Nem minha amada, porque é só madrasta.
Nem pátria minha, porque eu não mereço
a pouca sorte de ter nascido nela.

Nada me prende ou liga a uma baixeza tanta
quanto esse arroto de passadas glórias.
Amigos meus mais caros tenho nela,
saudosamente nela, mas amigos são
por serem meus amigos, e mais nada.

Torpe dejecto de romano império;
babugem de invasões; salsugem porca
de esgoto atlântico; irrisória face
de lama, de cobiça e de vileza,
de mesquinhez, de fátua ignorância;
terra de escravos, cu p’ró ar ouvindo
ranger no nevoeiro a nau do Encoberto;
terra de funcionários e de prostitutas,
devotos todos do milagre, castos
nas horas vagas de doença oculta;
terra de heróis a peso de ouro e sangue,
e santos com balcão de secos e molhados
no fundo da virtude; terra triste
à luz do sol caiada, arrebicada, pulha,
cheia de afáveis para os estrangeiros
que deixam moedas e transportam pulgas,
oh pulgas lusitanas, pela Europa;
terra de monumentos em que o povo
assina a merda o seu anonimato;
terra – museu em que se vive ainda,
com porcos pela rua, em casas celtiberas;
terra de poetas tão sentimentais
que o cheiro de um sovaco os põe em transe;
terra de pedras esburgadas, secas
como esses sentimentos de oito séculos
de roubos e patrões, barões ou condes;
ó terra de ninguém, ninguém, ninguém:

eu te pertenço. És cabra, és badalhoca,
és mais que cachorra pelo cio,
és peste e fome e guerra e dor de coração.
Eu te pertenço: mas ser’s minha, não.